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E então continuamos assim, nesse vai e vem chamado vida, onde tu ta feliz agora e daqui a pouco já não é a mesma coisa.
Onde a ânsia por sempre estar bem é deflorada pelo fato de que nem sempre vai estar bem, nem sempre vai estar do jeito que se quer.
Onde o fato de tu não saber oque vai acontecer logo ali é oque te faz as vezes surtar, achar que vai continuar sempre sempre assim. Ter a oportunidade nas mãos, logo ali, te dando a esperança de que tudo podia ser melhor daquela forma, de que tudo DEVE ser melhor. 

Existem coisas que são extremamente complexas enquanto não realmente acontecem, mas dai num toque de mágica tão logo ali e já não é da forma que querias, não tem mais aquela magia, aquela elegância do princípio onde tudo parecia perfeito demais pros olhos de meros humanos como nós. Complexo tipo palavras de uma mente insana que na verdade não sabe oque quer e acha que escrevendo pode chegar em algum lugar. Complexas como uma música que insiste em tocar na cabeça pois faz bem ao ego, a autoestima, porém faz mal ao espírito pelo fato de que só era bom no momento, agora já não precisa mais, agora só gera tortura. Uma mente vazia, uma mente drogada que já ta exausta e que já não sabe pra onde correr; que as imaginações já não são mais tão coloridas; que as lembranças trazem o bem; trazem felicidade; como também trazem desanimo e ineficiência da parte que poderia ser melhor. Sempre achamos que poderia ser melhor, pode estar ai o erro do viver numa sociedade insaciável diante de uma humanidade insaciável. 

E é tudo assim, tudo tão estranho quanto uma imagem rabiscada, uma imagem abstrata que tem sentido só pra quem cria, mas que pra quem vê de fora não faz sentido algum. 

Mas a pergunta é a seguinte: O por que de tudo isso? Qual o verdadeiro sentido desses devaneios? Pra que tanto mistério? Poderia ser tudo gabaritado já pra não existir surpresas nem comoções. 

Oque me faz acreditar que a base de tudo são emoções, sentir, mas sentir verdadeiramente, não fingir algo que não existe. Até porque isso só machuca gerando outro sentimento, o ódio, rancor, a lástima e a autocrítica . Maldita autocrítica que faz enxergar erros onde parecia tudo perfeito. Maldita autocrítica que te faz pensar no real mas que exagera no ponto. Maldita autocrítica que te faz enxergar a verdade mesmo não querendo, mesmo sabendo que aquilo não é necessário. 

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A verdade é que tando no inferno, abraça o capeta. Sendo assim a vida é isso, um inferno e cada com seu inferno astral, ou carma. Basta tu dissertar o que te faz bem e seguir sereno, sem se comprometer, sem exigir demais. A vida é boa, a gente é que estraga. 

É um barato!

É bem loco, não sou de fazer esse tipo de coisa, não de fazer e escaralhar tudo por aqui, eu já escrevia tudo num livrinho, pensava em ser escritor enquanto ficava com o cigarro na boca me sentindo um Paulo Sant’ana e escrevendo pelas passagens, pelas loucuras, as viradas, a vida em si e em tudo que acontecia, isso dos meus 15 aos 17, dai perdeu um pouco o brilho e o sentido de escrever quando tive que encarar o trampo, mas isso é pra depois. Só que eu completei 19 e tá tudo muito louco, ta tudo muito estranho mesmo! A vida antes dos 18 é uma mentira, é o começo da decepção que já tava tramada. Tu não valoriza nada. Tu caga pra tudo, até que a idade chega e depois de tudo oque rolou até os 15, a parada do amor, aquele romance na escola, ou melhor, aquele lance das antiga que tu nunca vai esquecer por questões de infantilidade e imaturidade do momento. Ou quem sabe aquela festa com a galera que tu teve de levar o comparsa em casa aos prantos de bêbado e outro no teu ombro apavorada pela mina que a uma semana atrás dizia que o amava e que agora ele viu ela amando o ” inimigo ”. Toda essa coisa mágica, essa caixa de lembranças chamada cérebro é bem loca, cara. E eu to no surto mas acho que é repentino. 

Mas falando sério, o barato de tudo é tu viver no avulso, naquela do ” deixar rolar ” esse negócio de planejar, de querer com que aconteça, de forçar uma parada, não acontece nessa bagaça chamada vida. A vida ao mesmo tempo que te da a esperança e te joga na cara a expectativa, te surra e mostra que NÃO! Nunca vai ser do jeito que tu quer só porque tu queres, claro que não! Ah não ser que tu tenhas grana, que tu tenhas nascido no bercinho de ouro, que a parada que envolve tudo teja na tua mão e que toda essa paranóia não exista pq po, a grana tai, da pra fazer mexer. Injustiça da minha parte ou n, essa parada é toda em volta de um papel ao mesmo tempo que não é. 

Oque tem que acontecer mesmo é tu fazer fluir, tu fazer chegar e querer crescer naquilo que não existe, não pra ti. Fazer existir, essa é a moral. Não tem satisfação maior do que sair do nada e conquistar o mundo, conquistar o teu mundo, aquilo que tu crê e que tu nunca achou que seria real. A parada legal é essa, o barato é esse. Ter tudo na mão é fachada po, é coisa fácil e tudo que é fácil perde a graça logo, logo. Então acho que o barato é esse, correr atrás, tomar porrada pra caralho e não esperar de mão beijada que isso é ilusão.